Conheça a história dos 42 anos da Rádio Cultura de Paulo Afonso

Redação – Rede Cultura – Fonte Folha Sertaneja

8 de Dezembro. Há 42 anos nascia a Rádio Cultura de Paulo Afonso. Eu estava lá!

Foram anos de muita pesquisa, muitas viagens para conhecer como funcionavam emissoras de rádio na região nordestina. E muitos sonhos do seu idealizador, Antônio José Diniz, até então um bem sucedido empresário da área de venda de revistas através da sua Distribuidora Sedução.

Mas o sonho de ter uma rádio e depois uma televisão, sempre acompanhou cada passo da vida do empresário nascido em Afogado da Ingazeira, no alto sertão de Pernambuco mas morador de Paulo Afonso desde o final da década de 1940 quando seu pai, José Vitorino Diniz deixou o trabalho de motorista da Fábrica Peixe, de Pesqueira para vir trabalhar na grande obra que a Chesf fazia nesta região – a construção da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso.

E o seu pai, tinha muito orgulho de ter sido pioneiro da Chesf e, mais que isso, o primeiro koeringueiro a colocar a primeira carrada de pedras no processo de fechamento do rio São Francisco para a construção da Barragem Delmiro Gouveia. Diniz herdou esse orgulho de se dedicar, com determinação, a Paulo Afonso que o acolheu ainda menino…

Antônio Diniz também levou pela vida afora a marca de pioneiro, desta vez, na construção de um projeto radiofônico oficial, regularizado, as Rádios Cultura de Paulo Afonso – AM e FM, em um tempo em que a comunicação radiofônica da cidade era feita pela Rádio Poty, que funcionava sem a autorização necessária do Departamento Nacional de Telecomunicações da época, o DENTEL, embora tenha prestado relevantes serviços à comunidade pauloafonsina.

Diniz, como muitos outros, começou a sua vivência com a radiodifusão ali, na pequena Rádio Poty de Paulo Afonso, criada por Antonio Bernardo, Raimundo, Benedito e Mário Santos e depois administrada por Roque Leonardo Barbosa, e foi a escola de muitos radialistas…

Depois de cumprir todas as exigências do Ministério da Comunicações, veio a concessão das rádios. Outro tempo imenso para organizar tudo e colocar a emissora no ar. Luta intensa em um tempo em que tudo era rigorosamente observado pelo governo militar instalado no Brasil. Tudo precisava estar bem certo porque havia olhos em todas as paredes, em todos os lugares…

Numa euforia incontida, uma alegria de menino que ganha o brinquedo que sempre sonhara, Antônio José Diniz passou todo o dia fazendo rodar a música Paulo Afonso, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, para marcar bem de onde, de que lugar saía esse som que invadiu grande região do Nordeste. Na época, outro grande pioneiro da Chesf e entusiasta pelo desenvolvimento de Paulo Afonso, Sr. Nicolson Chaves compartilhou da alegria intensa de Diniz e disse em alto e bom som: “Diniz, você deu voz a Paulo Afonso!”.

Grande verdade! A Paulo Afonso das usinas hidrelétricas cantadas por Luiz Gonzaga, uma cidade que tinha apenas 20 anos de vida, tinha o seu nome e seus feitos e malfeitos espalhados por grande região do Nordeste.

Católico, seguindo os costumes cristãos, decidiu inaugurar as Rádios Cultura de Paulo Afonso – AM e FM no dia 08 de dezembro, Dia de Nossa Senhora da Conceição e, nesse dia 8 de dezembro de 1978, há exatos 42 anos, o primeiro bispo diocesano de Paulo Afonso, D. Jackson Berenguer Prado, deu uma bênção especial inaugurando a Rádio Cultura de Paulo Afonso que continua por todo esse tempo, quase meio século de vida, levando a voz de Paulo Afonso e dos pauloafonsinos e visitantes a longas distâncias, sendo sempre bem recebida nas casas modestas, nos leitos dos hospitais, na carona de carros…

Agora, associada à internet, a “voz de Paulo Afonso”, através da Rádio Cultura, se espalha pelo mundo a fora.

Dia destes, eu que estive nessa história da Rádio Cultura desse a sua concepção, voltei aos seus estúdios, a convite de Soraya Diniz e de Dinizinho, filhos de Antônio Diniz, para falar da história e das memórias da cidade e de seu povo, quando recebemos uma ligação do Professor Francisco Nery. Ele estava na França, em viagem de estudos e nos dizia como é bom estar tão longe e poder ouvir o som da terra onde se mora, se vive…

Em julho de 2019, Antônio José Diniz nos deixou, mas o seu sonho continua vivo e é levado adiante por seus filhos Soraya e Dinizinho, a esposa Saúde, que hoje, certamente, sentem a falta de Diniz, ele próprio conduzindo uma programação especial, abrindo os microfones para o povo deixar seus recados e levando a voz de Paulo Afonso pelo mundo a fora…em todos os lugares onde a internet chegar.

Parabéns à Rádio Cultura de Paulo Afonso por esta bela caminhada de mais de quarenta anos deste sonho dos anos de 1970. Que ela continue vencendo os anos, quem sabe os séculos, levando a voz de Paulo Afonso através das novas gerações, sempre!!!

Grande abraço a todos os comunicadores que deram vida a este sonho ainda no século passado, há 42 anos e aos que hoje mantêm vivo o sonho de Antônio José Diniz de ser voz forte dos muitos que não têm voz e precisam dizer ao mundo: eu sou gente e eu estou aqui!

Deus me deu a alegria de estar na Rádio Cultura de Paulo Afonso, durante o dia em que os acordes da canção de Luiz Gonzaga – Paulo Afonso – invadia os espaços em 8 de dezembro de 1978.

Vida longa à Rádio Cultura de Paulo Afonso e sempre viva a memória do seu fundador, Antônio José Diniz!

Antônio Galdino da Silva

Diretor do jornal Folha Sertaneja

Presidente da Academia de Letras de Paulo Afonso

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