Dados do Inpe indicam que o Pantanal tem o pior outubro da história

O Pantanal já tem o pior mês de outubro em focos de incêndio da história: desde o dia 1° até ontem, quarta-feira (28), já foram registrados 2.825 pontos de fogo no bioma. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

As polícias, tanto Civil, quanto Federal investigam a suspeita de ação criminosa e apontam que há indícios da relação do fogo com fazendas. Pois há indicação também, de que produtores rurais de ao menos quatro propriedades estejam ligados com a destruição de 25 mil hectares.
As altas deste mês de outubro vêm depois de o bioma já ter tido a pior quantidade de incêndios mensais na história – para qualquer mês – em setembro. Antes disso, nos primeiros 17 dias de setembro, os recordes para aquele mês já haviam sido ultrapassados.  E agora os focos de incêndio deste mês de outubro também já ultrapassaram o total visto no mesmo período do ano passado, só que com 15 dias de antecedência.

O bioma também registrou o pior julho e o segundo pior agosto da história; em setembro, este ano se tornou o pior em número de pontos de fogo no Pantanal. Vale lembrar que até 2018, o bioma pantanal era o mais preservado do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E mesmo com as chuvas, está longe ainda do fim da seca.

O Pantanal enfrenta a sua pior seca em 47 anos – o que contribui para o alastramento do fogo. O bioma pantaneiro é a maior planície alagada do mundo, mas quando não chove, a planície não alaga, o que permite que o fogo se espalhe.

A chuva vista recentemente na região fez os números de focos de incêndio caírem bastante em alguns dias, mas especialistas alertam que o Pantanal deve demorar ainda para se recuperar. Segundo o último boletim do serviço, do dia 22, os níveis do Rio Paraguai, que é responsável pela inundação do Pantanal, ficaram estáveis pela primeira vez depois de quedas que duraram até a semana anterior.

O número de focos de incêndio na Amazônia também vem alcançando altas históricas: as queimadas na floresta este ano já ultrapassaram as queimadas ocorridas em todo o ano passado. Desde janeiro, iniício do ano, até ontem, quarta-feira (28), o bioma já tinha registrado 91.873 pontos de incêndio, 2.697 a mais do que os contabilizados de janeiro a dezembro do ano passado (2019).
Além disso, o acumulado de pontos de fogo na floresta vistos de janeiro a setembro deste ano, foi o maior desde 2010.

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